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[CO010-005_CASA LUANDA] concurso

É na habiação que de forma mais explicita se encontram o mito e a necessidade.
Os temas da arquitectura doméstica são transversais e intemporais, atravessam séculos, culturas e costumes.
A definição do lote é feita por um muro continuo, prenuncio de uma possibilidade de habitar em toda a sua extensão.
A construção de um elemento contentor faz a ancoragem dos núcleos da casa. Agregados ao muro nas suas quatro dobras, revelam diferentes possíbilidades de relações interior-exterior reunidos por um pátio central.
Esta matriz reflecte sobre modelos intemporais de relação entre núcleos funcionais autónomos confluentes num espaço comum aberto, que reagem às condições expecificas deste território que são reflectidas na construção do programa.

Quatro núcleos que desagregados entre si tornam mais evidente uma racionalização de todas as redes de infraestruturas e equipamentos necessários: optamos pela instalação das redes à vista, com fixação pelo exterior das paredes periféricas pela clareza construtiva e modo de reparação ou extensão de execução simples.
Núcleo de Águas com cozinha/comer e sanitário/banho e núcleo de Estar extendem-se em alpendre para o pátio cruzando o lote.
Considerando a utilização do tijolo de cimento como único material de construção prevemos manter a sua expressão em todas as superfícies de comunicação visual com o pátio e usar reboco e tinta nas superfícies interiores.
o núcleo dormir é um volume mais encerrado onde os vãos contém vários filtros e modos de relacionar interior e exterior.
A origem desta casa-pátio está relacionada com a proposta de um núcleo parcialmente aberto para a rua, o quarto volume, mais expectante e disponivel, potencial espaço de trabalho/negócio/carro/armazém. Esta característica assume em simultâneo um carácter urbano como frente de rua com expressão atribuida pelos usos e manipulações.
Cada parcela da casa contém ventilação cruzada, controlo solar pelos vãos e aberturas nas paredes e condicionamento acústico e térmico nos “paineis sandwish” da cobertura.
A caracterização destes espaços promove uma eficaz instalação inicial sem contudo estabelecer ou limitar apropriações ao longo do tempo. A construção recorre a um léxico reduzido e reflecte as condições previstas de baixo custo e disponibilidade para a auto-construção.

Interessa-nos este encontro de um modo de fazer simples, com delicadeza e generosidade. São estratégias que trazem consigo a matéria da sua execução, onde a cultura popular e a cultura erudita se fundem.
Construir a inteligência sobre os lugares a partir da recomposição de um léxico reconhecível, sem operações de ruptura cultural.

Projecto realizado em colaboração com Rui Mendes.